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ID: 374 | Conto erótico Verídico
Autor: marcfauwel
Em Português de Brasil
Adicionado: 2011-03-07 19:15:44
Hits: 1187

10
Observando pássaros

Trabalho duro, num lugar inundado de luz branca e ar condicionado. A hora do almoço é meu momento de liberdade no dia claro. Passo-a num parque, observando pássaros. Entro no barracão de ferramentas, fecho a porta de duas folhas, encosto nela uma mesinha e, enquanto almoço, observo os pássaros que vivem em total segurança nesse belo parque da minha cidadezinha. Às vezes acontece algo de extraordinário. Quando me interessa, anoto. Hoje aconteceu e me deu vontade de compartilhar com vocês.

Dois jovens, negro e branco, sentados sob uma árvore. O jovem negro está usando um short xadrez muito largo, mas curtíssimo e se mostra visivelmente propenso ao sexo. Ele tem cara de lua, é baixo, atarracado, mas forte, não gordo, e parece ter uma bunda volumosa, generosa, empinada, saliente, cheia. Ele é elétrico, não pára de falar, de provocar o outro, dizendo-lhe coisas e fazendo gestos libidinosos. Ele está de pé, o outro deitado. Estão sozinhos no parque. Não há ninguém para vê-los, exceto eu, que estou aqui, dentro do barracão de jardinagem, observando por uma fresta e anotando o que vejo.

O jovem negro tira a camisa e começa a dançar para o outro, que continua deitado na grama. Ele passa a mão pela barriga, pelo peito, pelo pescoço - pura musculatura -, depois faz o caminho inverso e pára com os polegares enfiados no elástico do short. O outro observa massageando o pênis por fora da calça e passando indecentemente a língua nos lábios, mas acaba abrindo o botão da calça, baixando o zíper e expondo a sua protuberância ainda oculta na cueca. O jovem negro se livra da sandália e passa o pé pela bola de tecido azul, agora totalmente exposta, provocando gemidos e contorções. Com o pé, ele puxa a cueca pelo elástico até liberar o membro, que desabrocha, rígido, e vai bater contra a barriga, apontando para o umbigo pouco acima. Em seguida, ele leva o o short xadrez com as mãos até os pés, como um strip-teaser, e repete a seqüência com sua cueca branca, imaculada. Do meu posto, posso vê-lo completamente nu, de pé, pernas abertas, o amigo entre elas. O outro mantém em riste um longo membro de glande rósea e olha para seu companheiro que vai descendo até sentar-se sobre ele. Do meu observatório, posso ver o cilindro entre os corpos ir gradativamente sumindo. O jovem negro joga a cabeça para trás e geme ao acolher a glande que, suponho, deve exigir uma grande expansão anal. Vencida essa etapa, ele deixa seu corpo descer pesadamente até estar completamente sentado sobre o parceiro, que o recebe num gemido enquanto o puxa para si exigindo um beijo. Languidamente, o jovem negro cola-se ao corpo branco e inicia seus movimentos, cavalgando o amigo com as mãos em seu peito. Vejo sua bunda arrebitar-se extraordinariamente ao subir, para descer com toda força provocando um ruído de pele contra pele, como um tapa com as mãos em concha. O membro branco não mede menos de dezessete centímetros e a grossura também é considerável. O rapaz negro degusta-o como um vinho ou um alimento raro que preenche seu corpo de volúpia e prazer.

E assim eles ficam - já se vão vinte minutos -, trepando na doçura da grama, à sombra da amendoeira onde costumo observar outros pássaros. Num instante de divagação surrealista, associo a pica ao bico e, ao antro inacessível de um tronco, o cu. Na minha frente - Flaubert por alguns segundos - um enorme pica-pau branco deleita-se a invadir esse antro negro. Mas logo a realidade me traz de volta aos dois corpos, agora alagados de suor, entregues a um ritmo constante e perfeitamente harmonioso. As últimas estocadas do rapaz branco, acompanhadas de curtos gemidos secos - "Ahn! anh! ahn!" - anunciam o orgasmo. Do meu observatório, vejo que o outro estanca com as mãos em seu peito e crava os olhos nos seus, deixando-se invadir imóvel durante as arremetidas mais furiosas, certamente acompanhadas de copiosos jatos que o inundam até o âmago. Ele percorre o membro encharcado, fazendo-o sair quase inteiro e voltar deslizando para o que talvez seja agora um pântano de esperma viscoso. Eu vejo que ele quer mais, que ele quer tudo, até o fundo, até o fim.

Malgrado as contorções do rapaz branco, cujos gemidos já me parecem mais próximos aos da dor, os movimentos se estendem muito além desse primeiro orgasmo. Subitamente, o rapaz negro se empertiga e, rasgando as coxas do outro com suas unhas, anuncia entre grunhidos o inesperado. O outro, forçando o pescoço, ergue a cabeça e constata o que já posso ver claramente. Estimulado pelo grosso, rígido e pulsante volume em seu reto, o rapaz negro começara involuntariamente a gozar sem sequer tocar no próprio pênis, que continua apontado para frente, como uma vara de pescar, logo acima da barriga do outro. Não há jatos e, no entanto, o esperma escorre copiosamente da extremidade arroxeada formando uma poça esbranquiçada na barriga do outro, que observa estupefato. Incrédulo, ele toca a poça com a extremidade dos dedos e observa o fio translúcido. Seu amigo o convida a levar a mão à boca para convencê-lo. Ele prova, torna provar, sorri e se dá por convencido: é puro esperma e seu sabor sui generis. Os dois se beijam, compartilhando o líquido misteriosamente vertido e riem como dois adolescentes. Minutos depois, saem do parque como se só o tivessem atravessado, pisando leve e conversando alegremente.


Adicionado: 2011-03-07 19:15:44
Hits: 1187
Os contos eróticos de: Marc Fauwel














 



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